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Para fotógrafos Food Styling

Food styling que não engana o cliente final

Ajustes de empratamento que mantêm o prato fiel ao que sai da cozinha.

Retrato de Mikhael Treska
Mikhael Treska 23 de julho de 2026 · 6 min de leitura
Macarons de pistache com framboesas

Toda semana um cliente me manda um print: a foto que rendeu pedido no aplicativo passou batida no feed. Quase sempre é enquadramento. Cada canal recorta, comprime e mostra a imagem em um tamanho diferente — e a decisão do cliente acontece antes de ele terminar de olhar.

O app decide pelo quadrado

No iFood e no Rappi a foto aparece em um retângulo pequeno, ao lado do nome do prato, muitas vezes com menos de 300 pixels de largura na tela do celular. O que sobrevive ali é contraste e recheio: o hambúrguer precisa ocupar o quadro quase inteiro, o molho precisa aparecer, o fundo importa pouco. Foto ampla, com mesa posta e três copos ao redor, vira uma mancha marrom.

Quando fotografo pensando em delivery, aproximo, subo um pouco o ponto de vista para mostrar as camadas e deixo margem nas bordas, para o app cortar sem decapitar o prato.

O feed decide pelo movimento do polegar

No Instagram a foto compete com vídeo, meme e story. Aqui o vertical ganha mais espaço na tela e o contexto ajuda: a mão que serve, o vapor, alguém rindo ao fundo. O que no app seria ruído, no feed é o que faz parar o polegar.

Hambúrguer com fritas servido em cesta
Mesma sessão, dois recortes: o fechado vai para o cardápio digital, o aberto vai para o feed.

Três ajustes que resolvem a maior parte

1. Fotografe uma vez, entregue em três formatos

Quadrado para o app, vertical para redes, horizontal para o site. Se a foto foi feita com margem, os três saem do mesmo arquivo sem perder qualidade.

2. Padronize a distância

Um cardápio fotografado sempre na mesma altura e distância fica coerente mesmo com pratos bem diferentes. Dez ângulos diferentes parecem improviso.

3. Escolha os campeões

Fotografar 40 itens com o mesmo cuidado raramente compensa. Uns cinco pratos respondem pela maior parte do faturamento. Comece por eles.

A foto precisa fazer alguém com fome decidir rápido. Bonita é consequência.

O que eu faria no seu lugar

Abra seu cardápio digital agora, no celular, com a tela em brilho médio — como o cliente vê. Role até o fim. Os pratos que você não consegue identificar sem ler o nome são os que estão custando pedido.

  • Liste os cinco itens que mais vendem.
  • Compare a foto de cada um com a do concorrente mais forte da sua região.
  • Refotografe primeiro os que perdem a comparação.

Leva dez minutos e costuma explicar a queda no ticket médio melhor que o relatório do app.

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Retrato de Mikhael Treska
Mikhael Treska

Fotógrafo de comida em Curitiba há sete anos. Fotografa cardápio, delivery e campanha para restaurantes de todo o Brasil, e ensina outros fotógrafos na Academia Mitreska.

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